Brasília ganha loja física de Bitcoin; SP e Florianópolis são as próximas

por PAULO FIGUEIREDO

A BitcoinToYou, única empresa com lojas físicas do Brasil a realizar transações entre o real e a moeda virtual, inaugurou seu segundo estabelecimento no país ontem (21), em Brasília. A primeira a comercializar bitcoins foi aberta em Curitiba, em junho do ano passado, e as próximas deverão ser em São Paulo e Florianópolis, ainda este ano, segundo a empresa.

O que é

A unidade monetária Bitcoin (BTC) é uma moeda online que não possui uma gerência central, tendo seus valores descentralizados a partir de transações por rede de compartilhamentos P2P (ponto-a-ponto). Por também não depender de intermediários financeiros, como bancos e instituições reguladoras como o Banco Central, as transações não contam com impostos e possuem taxas menores de transação.

De acordo com o dono da BitcoinsToYou, André Horta, a abertura da loja em Brasília promete ser lucrativa uma vez que a cidade divide com São Paulo o mérito de ser um dos locais com maior volume real de movimentação da moeda no Brasil. Se cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte também possuem grande número de adeptos da moeda, ainda ficam atrás no quesito de valores movimentados.

Para Adriano Zanella, o franqueado da nova loja, o objetivo é oferecer um espaço seguro com troca de ideias e informações entre funcionários e clientes, aumentando assim o nível de confiança dos brasileiros na moeda virtual.

Se hoje os principais compradores do bitcoin são pessoas que realizam trocas de câmbio para viagens internacionais e usuários de lojas online, a proposta do BitcoinToYou é estimular o comércio convencional a adotar a carteira de bitcoins, assim como já acontece em outras cidades e países. Dell, Amazon, Microsoft e BestBuy são algumas das marcas que aceitam pagamentos com a moeda.

A bolsa de Nova York, coincidentemente, acabou de adotar uma taxa de conversão entre bitcoins e dólares, com a justificativa de interesse dos seus negociantes pela cotação da moeda eletrônica.

A loja de Brasília, assim como a de Curitiba, vende cartões pré-pagos e aceita compras através de dinheiro e transferência bancária. Os donos também estudam a possibilidade da venda de bitcoins através de cartão de crédito, adotando até opção de parcelamento.

Além disso, será possível que comerciantes locais recebam em bitcoins e troquem a transação rapidamente por reais, aproveitando as altas e baixas da moeda sem se submeter a prazos e taxas das operadoras de crédito.

Sobre o risco, Adriano não tem dúvida de que se encontra em um negócio seguro e promissor. “No Brasil não é muito comum porque a gente não vê acontecendo, mas várias empresas de sucesso já adotam a transação em bitcoins, que vai ganhando espaço no futuro”, diz ele.

Segurança garantida

André Horta atenta para os cuidados com a segurança do sistema da loja, que possui servidores na Califórnia e na Flórida, além de investimentos em criptografia, certificado SSL e outros métodos que os próprios bancos usam, como autenticação de dois fatores e replicação de dados.

Além disso, há uma reserva de 90% dos valores em poder da empresa em paper wallet, uma garantia física de que a moeda digital não se perderá com uma invasão de software, por exemplo. “Hoje é uma técnica conhecida no mundo todo, todas as exchanges de ponta já usam”, explica André.

Apesar da alta volatilidade do bitcoin, que chega a variar cerca de R$ 30 a R$ 40 por dia, o saque dos valores adquiridos é imediato, de acordo com Adriano, o que aumenta a confiabilidade no sistema. Hoje com uma cotação de 1 bitcoin para cada R$ 758,74, o bitcoin já chegou a variar de US$ 200 a mais de US$ 1.000 em um período de alta na cotação. Os primeiros compradores do sistema, que foi criado em 2009, hoje são milionários.

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